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Existe uma relação direta entre os índices de violência e o valor dos imóveis de uma região. Bairros onde os índices de criminalidade são crescentes afastam os atuais moradores e os futuros compradores. De um lado temos os atuais proprietários querendo vender seus imóveis rapidamente para que possam se mudar para outros bairros. De outro temos investidores e compradores que evitam comprar em áreas de risco. A oferta de imóveis aumenta e a demanda cai fazendo os preços caírem acentuadamente.

Em cidades onde o governo está investindo em segurança existe a oportunidade de investimentos em imóveis com grande potencial de retorno. Foi o que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro com a implantação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Não só os imóveis dentro das comunidades valorizaram mas todos os imóveis nos bairros que circundam as comunidades se valorizaram.

Estimasse que imóveis em bairros onde ocorreu a pacificação de comunidades próximas, tiveram valorização de até 80% em um curto espaço de tempo. Na maioria dos bairros o aumento foi de 30 a 40% imediatamente após a ocupação da polícia.

O problema é que este tipo de valorização depende da continuidade dos investimentos do Governo em segurança pública. Até a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas é garantido que o Governo Estadual e Federal se esforcem para controlar a criminalidade nas grandes capitais. O preocupante é como serão os investimentos em segurança depois dos eventos esportivos.

UPP, na comunidade Dona Marta, zona sul da cidade. Tomaz Silva / Agência Brasil

Será que bairros que se valorizaram por estarem mais seguros hoje, continuaram assim no futuro? Um exemplo deste problema está ocorrendo neste momento no Rio de Janeiro. O governo anunciou nesta sexta-feira (21/março/2014) que vai enviar tropas federais para ajudar na segurança pública no Rio de Janeiro. O anúncio foi feito pelo governador Sérgio Cabral e pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, após reunião com a presidente Dilma no Palácio do Planalto.

Depois que criminosos, em uma ação organizada, atacaram diversas unidades pacificadoras da cidade, o governador foi obrigado a pedir ajuda urgente para o Governo Federal, mostrando que o Estado sozinho não consegue manter o controle da situação, mesmo depois de tanto investimento. Apesar de muitos alegarem que a violência no Rio de Janeiro é algo comum a todas as grandes cidades do mundo, não é comum pedir ajuda de tropas militares para manter a segurança local nas grandes cidades do mundo. (veja a notícia)

O fato é que os índices de violência no Rio de Janeiro estão voltando a crescer em bairros que já tinham se valorizado anos antes, quando estes índices recuaram. Da forma como as comunidades foram ocupadas, muitos criminosos tiveram a oportunidade de migrar para outros bairros ou para outras atividades criminosas. (veja notícia).

Nesta semana o Jornal do Brasil publicou uma matéria interessante sobre a especulação imobiliária em comunidades pacificadas. Muitas famílias de classe média, que não conseguem mais morar em “imóveis no asfalto”, estão entrando nas comunidades para comprar imóveis. Apesar destes imóveis já terem triplicado de preço nos últimos anos, são uma alternativa para quem não consegue mais morar nas áreas mais nobres do bairro. Desta forma, os imóveis nas comunidades ocupadas parecem mais baratos. O problema é que esta relação de custo benefício depende da manutenção da segurança local. (veja aqui).

Se o governo for capaz, não só de pacificar, mas de manter esta pacificação por décadas, o investimento nestes imóveis será válido. Se a situação voltar a fugir do controle e os índices de violência voltarem a subir a desvalorização dos imóveis é praticamente certa. Devemos lembrar que não é só a polícia que será capaz de mudar a realidade destas comunidades. O Estado precisa investir em educação, profissionalização, saúde e urbanização das comunidades. Investir só na implantação de policiamento não muda a realidade dos jovens que são aliciados pela criminalidade.

E esta realidade não é só do Rio de Janeiro, mas em todas as cidades onde existiam bairros desvalorizados por culpa da violência e que receberam investimentos públicos recentes focados na Copa do Mundo.

Se os investimentos em segurança não continuarem após os jogos e a violência retornar, a desvalorização e os prejuízos serão inevitáveis para quem investiu nestas áreas durante o período de alta dos preços.

Recentemente uma ONG divulgou uma lista com as 50 cidades mais violentas do mundo. O Brasil possui 16 cidades na lista, ou seja, 32% das piores cidades para se viver com relação a taxa de homicídios por 100 mil habitantes fica no Brasil. (fonte). O Rio de Janeiro e São Paulo não aparecem na lista já que mesmo tendo milhares de mortes por ano a relação entre o número de mortes e a quantidade de habitantes é menor que as demais cidades.

CIDADES MAIS VIOLENTAS NO BRASIL

Ranking Cidade Taxa de homcídios
Maceió (AL) 79,76
Fortaleza (CE) 72,81
João Pessoa (PB) 66,92
12º Natal (RN) 57,62
13º Salvador (BA) 57,61
14º Vitória (ES) 57,51
15º São Luís (MA) 57,39
23º Belém (PA) 48,23
25º Campina Grande (PB) 46,00
28º Goiânia (GO) 44,56
29º Cuiabá (MT) 43,95
31º Manaus (AM) 42,53
39º Recife (PE) 36,82
40º Macapá (AP) 36,59
44º Belo Horizonte (MG) 34,73
46º Aracaju (SE) 33,36

 

Se na sua cidade existem regiões que sofrem desvalorização provocada pela violência, ou que possuem regiões que se valorizaram após investimentos em segurança, deixe seus comentários no final do artigo. Compartilhe sua opinião e suas experiências.

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